Alves Redol, "A Flor vai ver o mar"






Autor: Alves Redol
Título: A Flor vai ver o mar e A Flor vai pescar num bote
Edição: Publicações Europa-América, 1968

Da Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso fazem parte duas publicações infantis de Alves Redol (1911-69), autor cujo centenário se celebrou no ano passado e que conviveu de perto com a comunidade piscatória da Nazaré, elegendo-a como protagonista da sua obra “A Fenda na Muralha”.

A Flor vai ver o mar e A Flor vais pescar num bote são duas edições destinadas às crianças, que o Museu Dr. Joaquim Manso recomenda como leitura de férias da Páscoa.
Com ilustração de Leonor Praça, numa linguagem simples e enfabulada, com rima e ritmo poético, sugerindo as tradicionais lenga-lengas, transmitem-se ensinamentos básicos sobre a natureza, a arte de navegar, a importância do mar e da pesca e, ao mesmo tempo, realçam-se os valores da amizade e da solidariedade.
Na sua versão original, as ilustrações são a preto e branco, para serem coloridas pela criança.

Como dinamização da leitura de “A Flor vai ver o mar”, entre 20 e 30 de março, o Museu Dr. Joaquim Manso promove “Dá Cor à tua Flor”.

Villa Portela. Os Charters d'Azevedo em Leiria e as suas ligações familiares



















Autores: Ana Margarida Portela, Francisco Queroz, Ricardo Charters d'Azevedo
Título: Villa Portela. Os Charters d'Azevedo em Leiria e as suas ligações familiares (séc. XIX)
Edição: Gradiva, 2007

No âmbito do colóquio “A Herança dos Nomes – a importância da genealogia na identidadeda Nazaré”, que teve lugar nesta instituição no passado dia 28 de janeiro,  o acervo da nossa biblioteca foi enriquecido, por oferta de Eng. Ricardo Charters d'Azevedo, com o livro "Villa Portela. Os Charters d'Azevedo em Leiria e as suas ligações familiares (séc. XIX)".
Publicação, de grande interesse, documenta a genealogia do núcleo familiar de Villa Portela, estendendo-se e cruzando-se com vários e numerosos ramos, comprovando a importância da família Charters d'Azevedo na sociedade de Leiria.
Revela-se que as raízes genealógicas desta família entroncam também na Pederneira e no Sítio da Nazaré.

Disponível para consulta na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.

Fotografar. A família Andrade, olhares sobre Tavira

















Título: Fotografar. A família Andrade, olhares sobre Tavira
Edição: Museu Municipal de Tavira / Palácio da Galeria, 2011

Obra bilingue (português e inglês), com textos de vários autores, é o catálogo da exposição com o mesmo nome, organizada pelo Museu Municipal de Tavira.

A fotografia, ao “captar um momento único e irrepetível, cria uma memória de acontecimentos, dos afectos, sublinhando presenças e evitando esquecimentos”.
A publicação evidencia a importância da fotografia para o registo e documentação da história social de uma comunidade, ao mesmo tempo que estuda e divulga o percurso dos “Andrades” na fotografia algarvia.

Alargando o campo da investigação, traça-se a sua evolução e dos respectivos equipamentos até à era digital. Revela-se também o seu aspecto artístico, ilustrando as várias correntes, desde o bressonismo de Gerard Castello-Lopes ao fotojornalismo de Eduardo Gageiro. Dos fotógrafos excursionistas, itinerantes, aos estúdios modernamente equipados, a fotografia, com formatos e técnicas diversas, vai adquirindo uma linguagem artística autónoma e um lugar nas galerias e museus.

Com vasta ilustração, este catálogo conta-nos a história da fotografia em geral, e em Tavira em particular, assim desenhando o retrato social de diversas épocas e abarcando uma temática variada, desde acontecimentos sociais e naturais, profissões e ofícios, ensino, desporto, retratos do exterior e de estúdio, não esquecendo a “moda dos postais”.

Para quem gosta de fotografia ou não pôde visitar a exposição, é uma publicação a não perder!
Disponível para consulta na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, por oferta do Museu Municipal de Tavira. 

Irene Sá Vieira Natividade. Tapeçaria e Pintura








Título: Irene Sá Vieira Natividade. Tapeçaria e Pintura
Edição: Mosteiro de Alcobaça, 2011


Catálogo da exposição com o mesmo nome, patente ao público no Mosteiro de Alcobaça entre 3 Dezembro 2011 e 22 Janeiro 2012, apresentando parte do espólio pertencente àquela instituição.
Veio enriquecer a informação disponível sobre a vida e obra de Irene Natividade, artista ligada ao Museu Dr. Joaquim Manso desde os tempos da sua abertura ao público, em 1976, quando efectua uma considerável doação de aguarelas e óleos, para além de duas tapeçarias de temática nazarena.
Com textos de diversos autores, esta publicação sistematiza a biografia de “Irene”, associando-a à sua obra, desenvolvida nos campos da pintura, cerâmica e tapeçaria, cuja análise merece capítulos individualizados.
A ilustração fotográfica das obras expostas complementa o estudo apresentado, revelando-nos que o trabalho de Irene Vieira Natividade, além da sua dimensão estética, pode revestir-se de um considerável valor documental e etnográfico.

Oferta do Mosteiro de Alcobaça à Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.

Vencer o mar, ganhar a terra













Autor: Sandra Araújo Amorim
Título: Vencer o mar, ganhar a terra: construção e ordenamento dos espaços na Póvoa pesqueira e pré-balnear
Edição: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 2004

Oferta do Município da Póvoa de Varzim à Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, este livro permite compreender a expansão urbanística e a evolução demográfica da Póvoa de Varzim.
A autora, baseando-se nas mais diversas fontes, evidencia a relação entre o núcleo urbano e a área rural, analisando os espaços viários, ruas e praças, a volumetria do programa arquitectónico e dos edifícios públicos, e o tecido sócio-económico.
Refere também a influência que, a partir do séc. XVIII, a época balnear exerce no urbanismo da vila, intensificando-se a ocupação da zona litoral. Verificaram-se substanciais alterações na sua fisionomia, com a deslocação do seu centro e com arruamentos paralelos e perpendiculares à costa.
Realça-se ainda a importância do quadro económico na organização do espaço, com menção sobretudo à actividade piscatória e derivadas, como a salga, a construção naval e a cordoaria, embora não esquecendo a agricultura e as actividades agro-marítimas.
Esta obra encerra, por assim dizer, uma reflexão sobre a estrutura urbanística e sócio-profissional da Póvoa de Varzim enquanto povoação piscatória e balnear, abrindo perspectivas comparativas com outras regiões do litoral português.

A Muleta













Autores: Manuel Leitão, Ferdinando Simões, António Marques da Silva
Título: A Muleta
Edição: Museu da Marinha e
Ecomuseu Municipal do Seixal, 2009
Português e Inglês

De temática restrita, dedicada à muleta, esta obra aprofunda o estudo de uma das embarcações mais belas e características do Tejo, desde a sua construção, ao plano vélico, sistema e processo de pesca, acompanhada de imagens complementares. Entre reproduções fotográficas e de pinturas alusivas, dá-se especial relevo às plantas, planos e desenhos técnicos de pormenor.
É uma obra de indispensável leitura para todos quantos se interessam por esta área do património cultural marítimo, nas suas vertentes material e imaterial.

Oferta do Ecomuseu Municipal do Seixal à Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.

Património baleeiro dos Açores. Herança e modernidade







Edição: Direcção Regional da Cultura / Museu do Pico, 2011

No início desta recente publicação do Museu do Pico refere-se a preocupação do Governo Regional dos Açores no que concerne à legislação e financiamento de planos conducentes ao estudo, salvaguarda, divulgação e valorização do património cultural, considerando-o importante factor de desenvolvimento económico.

Nesta perspectiva, com comparticipação comunitária e do fundo EEA GRANTS, desenvolveu-se o projecto “Baleiaçor”, que incidiu na arte baleeira nos Açores, visando a preservação e transmissão às gerações futuras dos saberes e tradições inerentes à prática da caça à baleia.

Com o envolvimento da comunidade local e da colaboração de vários “mestres” em diversas áreas (construção naval, confecção de velas,...), procedeu-se à recuperação de parte significativa do património baleeiro dos Açores, nomeadamente de embarcações – botes e lanchas de reboque e respectiva palamenta. 

Esta edição divulga este projecto e reúne várias comunicações sobre a temática, chamando a atenção para a importância que o mar e as embarcações baleeiras assumem no panorama cultural dos Açores, aliando o aspecto histórico-geográfico à fruição natural.

Todo o discurso é muito ilustrado com fotografias, que documentam várias etapas desta actividade e histórias de vida dos seus protagonistas, incluindo ainda plantas de construção naval, registos de embarcações e de pescadores.

Esta publicação deu entrada na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, numa oferta do Museu do Pico.
Uma obra que vale a pena ler!

Artes do Mar. Da Costa da Caparica à Fonte da Telha






Autor: Renato Monteiro
Título: Artes do Mar da Costa. Da Caparica à Fonte da Telha
Edição: Junta de Freguesia da Costa da Caparica, 2005


Oferta da Câmara Municipal de Almada para a Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, esta publicação é um belo álbum de fotografias a preto e branco, da autoria de Renato Monteiro, sobre as vivências da pesca. Documenta vários momentos e pormenores das técnicas e das artes de pesca tradicional, desde os barcos, às redes e xalavares, não esquecendo as figuras dos homens, mulheres e crianças com rostos marcados pelo trabalho, terminando com imagens de uma praia vazia e cheia de silêncio, após a faina.

Em texto introdutório, refere-se o fascínio que o mundo rural e marítimo sempre exerceu junto dos fotógrafos e identifica-se uma relação especial entre os mesmos e os pescadores: ambos se preocupam com a captura (do pescado e da imagem) e com a escolha de local e hora para a prática da sua actividade, só conhecendo os resultados após a conclusão do seu trabalho.

“Os pescadores tiram ao mar o que faz falta em terra, os fotógrafos roubam ao mundo momentos insignificantes, para os devolverem depois, lá – isto é: onde e quando são necessários. Uma grande diferença existe, porém, entre eles: enquanto que os vestígios do trabalho da pesca, gravados na areia, são presa fácil do fluxo das marés, as marcas na fotografia – ‘prática que luta contra a morte, contra o desaparecimento dos seres e das coisas’ – resistem ao fluir do tempo e vingam a fragilidade humana. É isso, afinal, a Fotografia: do grego photon (“isto”) mais graphos (futuro do verbo “permanecer”)”.
(Rui Fabião: 2005)

Notícias da Lancha








Edição: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 2011
Org.: Manuel Costa

Edição fac-similada de dez números do boletim Notícias da Lancha (1991- 1992), publicada pela Câmara Municipal de Póvoa de Varzim como homenagem a Manuel Lopes, na comemoração dos 20 anos da lancha poveira do alto “Fé em Deus” e apresentada no II Encontro da Rede Nacional da Cultura do Mar, realizado na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, a 2 Setembro de 2011.

Em texto introdutório, refere-se a importância da identidade cultural como factor de atracção turística, em contraste com a modernidade, e cita-se a lancha poveira “Fé em Deus” como exemplo aglutinador e de afirmação da identidade poveira.
Também se enaltece o papel de Manuel Lopes como grande defensor e investigador do património cultural local, obreiro do projecto de construção da réplica da “Fé em Deus”, que terá servido de inspiração à recuperação de muitas outras embarcações tradicionais no Norte do país.
Manuel Lopes foi também editor do boletim “Notícias da Lancha”, onde se dava notícia da calendarização e da evolução dos trabalhos de construção da réplica da referida embarcação, seguindo todo o ritual e técnicas do “saber fazer” que foram transmitidas de geração em geração.
A colecção dos dez números agora reunidos documenta as várias fases da construção, desde o desenho (sala do risco) ao “bota abaixo” / lançamento à água, devidamente ilustradas com fotografias.
Este projecto de Manuel Lopes, concluído com o lançamento à água da “Fé em Deus”, em 15 Setembro 1992, perdura através dos tempos, desempenhando um papel de grande significado cultural e interesse pedagógico, sendo a lancha considerada uma “Escola da Memória”.

Esta publicação, cuja leitura o Museu Dr. Joaquim Manso recomenda, foi oferecida pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, no âmbito do II Encontro da Rede Nacional da Cultura do Mar.







Edição: Câmara Municipal de Ílhavo e Museu Marítimo de Ílhavo, 2011


Por permuta com o Museu Marítimo de Ílhavo, chegou recentemente à Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso a publicação Tudo num barco. Património marítimo e cultura popular, catálogo ilustrativo de exposição com o mesmo nome, que esteve patente ao público naquele museu e que incluiu miniaturas de embarcações tradicionais portuguesas provenientes do Museu de Arte Popular.

Reflexões de vários autores – Álvaro Garrido, Andreia Galvão, Daniel Melo, Francisco Oneto Nunes, Alexandre Oliveira, Luís Martins e Márcia Carvalho – abordam a relação entre a arte  e a cultura popular, com referências à política adoptada pelo Estado Novo e às iniciativas de  António Ferro que, com o objectivo de glorificar a tradição e o passado nacional, estimulavam a realização de mostras de arte popular, como a grande exposição do Mundo Português em 1940, de que viria a resultar o Museu de Arte Popular, inaugurado em 1948. Numa perspectiva de valorizar o universo etnográfico, a cultura popular é retratada em miniaturas com todos os detalhes e pormenores, fixando os vários aspectos da identidade nacional, sobretudo os relacionados com as actividades rurais e marítimas.
Assim, os processos, instrumentos e técnicas agrícolas tradicionais são representados em tamanho reduzido, aliando o aspecto estético ao documental e evocativo. O apelo à preservação da tradição também se manifesta no que concerne à cultura do mar, com modelos reduzidos de embarcações e de artes de pesca tradicional.  

Luís Martins distingue, aqui, três tipos de construtores de miniaturas de embarcações, consoante  a técnica utilizada na respectiva construção:
Artesão – aquele que “miniaturiza” os objectos, centrando-se na forma. “Isto é feito a olho. Não se trabalha à escala”.
Modelista – aquele que segue um plano ou desenho à escala.
Artista – aquele que segue a escala, mas também tem em atenção estudos, esboços e fotografias sobre a  embarcação a construir.

Esta publicação relembra ainda o trabalho de investigação do Arq. Lixa Felgueiras sobre a arquitectura e a dimensão imaterial do barco.
Finalmente, é dado especial relevo à importância do barco como expressão da cultura marítima e à formação de museus etnográficos e regionais que contribuam para a sua preservação.

Mais uma importante edição do Museu Marítimo de Ílhavo, disponível para consulta na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso. 

Colecção António Olmos

Título: Colecção António Olmos
Edição: Câmara Municipal da Cascais, 2010

Recentemente chegado à biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, por oferta da Câmara Municipal de Cascais, este catálogo refere o papel do coleccionador António Olmos e a importância dos museus como locais privilegiados para a divulgação e estudo dos “corpus das colecções”. O percurso expositivo de uma colecção é também um meio para uma melhor compreensão do conteúdo e do perfil do próprio coleccionador.
A publicação distribui-se por vários capítulos, da responsabilidade de vários autores, atestando a multiplicidade disciplinar da colecção, onde se incluem, entre outras, a paleontologia e a mineralogia, as artes decorativas, documentos, biblioteca e filatelia, não ignorando as colecções de escultura e pintura dos séculos XIX e XX. Neste último núcleo, inclui-se o óleo “Nazaré”, da autoria de João Vaz, numa interessante perspectiva sobre a praia, captada a partir das “Pedras”.
Esta e outras marinhas certificam o gosto da época pelos efeitos lumínicos dos registos à beira-mar ou pelo pitoresco das cenas de costumes.

Disponível para consulta na nossa Biblioteca!

Revista de Folklore

Revista de Folklore
Edição: Caja España – Caja Duero, Valladolid, 2011
II Época, n.º 349
36 pag.






Para uma leitura mais diversificada e abrangente, sugere-se a leitura da revista “Folklore”, edição espanhola que a Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso possui no seu acervo.
Os artigos do último número incidem, sobretudo, na vida cultural tradicional, nas histórias e narrações que enchiam os serões de Inverno. Histórias de vida, lendas muitas vezes já apagadas da memória colectiva e cantigas do Cancioneiro popular são trazidas ao presente, relembrando as raízes culturais e a evolução que se foi verificando ao longo dos tempos, com todas as singularidades e particularismos.
Os restantes artigos focam temas relacionados com a iconografia mariana e também com a História de Espanha e a sua expansão pelo "novo mundo".
Esta é uma revista espanhola que assiduamente revela novas investigações na área da antropologia e da cultura popular, onde se encontram paralelismos interessantes com a realidade portuguesa. 

Artes de pesca. As pescas na arte

Titulo: Artes de pesca. As pescas na arte. Pintura e Escultura. Catálogo da exposição temporária 9 de Abril a 19 de Novembro de 2005
Edição: Museu Marítimo de Ílhavo, 2005

Catálogo de exposição com o mesmo nome, organizada pelo Museu Marítimo de Ílhavo. Divulga e referencia obras de arte dos finais do século XIX / século XX que retratam aspectos relacionados com o mar, desde paisagens marinhas a figuras de um quotidiano típico-tradicional do litoral português.
Autores de relevo no mundo da arte portuguesa, como Lázaro Lozano, Lino António, Alberto Sousa, Sousa Lopes, Almada Negreiros, Juan Ávalos, entre outros, são alguns dos artistas plásticos que nos proporcionam registos temáticos que conciliam o aspecto estético e as especificidades dos respectivos movimentos e tendências artísticas à autenticidade da realidade documentada. Nas obras expostas revê-se a força, a angústia, as vivências da pesca e o papel da mulher no tecido sócio-económico das gentes do mar, evidenciando igualmente a beleza plástica decorrente do movimento, do esforço, do drama e, até da tragédia, das várias expressões próprias da faina do mar.

Este catálogo faz parte de um conjunto bibliográfico que o Museu Marítimo de Ílhavo ofereceu recentemente ao Museu Dr. Joaquim Manso, enriquecendo, assim, o acervo da nossa Biblioteca com edições que relacionam a arte e o mar.

A Romaria de S. Brás


Autor:
José Soares

Título: A Romaria de S. Brás
Edição: Serviços de Cultura e Turismo da Nazaré, 1982

José Soares, estudioso da cultura local, descreve nesta brochura a romaria a São Brás, “a mais genuína das manifestações populares da Nazaré”.
Refere o autor não só o aspecto paisagístico do monte, como também o relaciona com a lenda da imagem de Nossa Senhora da Nazaré e da vinda do Rei D. Rodrigo e Frei Romano que, segundo a tradição, já teriam encontrado no cimo do monte uma capela abandonada, onde existiria um crucifixo.
Em 1965, José Soares considera que “a capela pouco tem de atractivo …. e não passa de um casebre a desabar sem os cuidados de ninguém”. Em dia de festa (3 de Fevereiro), sobre toalhas e adornado com poucas alfaias religiosas, o altar ostenta as imagens de Nossa Senhora das Candeias (celebrada a 2 de Fevereiro), São Bartolomeu e São Brás, então vindas da Igreja Matriz da Pederneira.
No soalho, situam-se duas placas tumulares, uma das quais pertencente, segundo legenda gravada, ao ermitão Manuel Luís, “de pátria desconhecida e falecido em 1849”.

Em tempo de romaria ao São Brás e início das preparações carnavalescas, aqui fica uma sugestão de leitura, para que também possamos reflectir sobre a continuidade destas práticas populares.
Para saber mais sobre o Monte de São Brás (ou de São Bartolomeu) sugerimos ainda a leitura do site portugalsemfim.

Uma arte do Povo, pelo Povo e para o Povo


Título: Uma arte do Povo, pelo Povo e para o Povo. Neo-realismo e artes plásticas
Edição: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Museu do Neo-realismo, 2007

No ano em que se comemora o centenário de nascimento de Alves Redol (Vila Franca de Xira, 29 Dezembro1911 – Lisboa, 29 Novembro 1969), evoca-se o neo-realismo com a apresentação do catálogo Uma arte do Povo pelo Povo e para o Povo. Neo-realismo e artes plásticas, referente à mostra patente no Museu do Neo-Realismo em 2007.
A abordagem deste movimento é feita por diversos autores, focalizando várias temáticas que nos dão uma leitura estética, social e política de obras produzidas quer na literatura, quer nas artes plásticas.
O tema do mar, e sobretudo da representação das suas gentes, foi privilegiado pela geração neo-realista de meados do século XX, incluindo o catálogo algumas reproduções de obras de Júlio Pomar, Rogério Ribeiro, Querubim Lapa, Augusto Gomes, Mário Dionísio, Maria Keil e Avelino Cunhal.
No neo-realismo vive-se uma aliança entre o artista e o povo, em que a arte é cada vez mais acessível às massas e onde o povo é representado não de uma forma idealizada, mas num quotidiano de trabalho árduo – no mar, em terra ou na fábrica. Do mesmo modo, as vivências de pobreza, exclusão, desespero, maternidade e festa são também temas do neo-realismo, que assim desempenha um papel interventivo e de reflexão na análise social, política e económica nacional.
Vários autores e obras emblemáticas do neo-realismo português são citados nesta publicação, oferecida recentemente ao Museu Dr. Joaquim Manso pelo Museu do Neo-Realismo e a merecer uma leitura atenta.

Heróis do Mar. Bill Perlmutter

Título: Heróis do Mar. Bill Perlmutter
Texto de Manuel António Pina
Edição: Centro Português de Fotografia / MC / Bill Perlmutter, Porto, 2002

Bill Perlmutter (Nova Iorque, 1932) autor das fotografias que compõem esta obra, na sua segunda viagem à Europa, teve a oportunidade de conhecer a Nazaré de 1958, deixando-se seduzir pelas características que identificavam a paisagem, as ruas e as pessoas, captando a sua própria essência.
Ele próprio afirma: “[Na Nazaré] As pessoas fascinavam-me, os rostos morenos e marcados pelo tempo pareciam estar em completa sintonia com o mar bravo à sua volta. As roupas pareciam fora do tempo, na moda em qualquer século menos no século XX. Aqui o relógio parou, ou pelo menos passou a andar mais devagar, porque estes pescadores corajosos pareciam mais próximo do seu passado fenício do que do presente. Os rostos enrugados, profundamente sulcados, espelhavam uma vida de luta e determinação contra um mar exigente. As mulheres também reflectiam uma imagem de orgulhoso estoicismo, modelado por uma vida de trabalho e sacrifício. Como sempre, eram as crianças que mais me atraíam e tornaram-se o meu tema preferido..."


As imagens, a preto e branco, reproduzidas nesta obra, documentam a realidade sócio-cultural desta comunidade de pescadores, aliando a beleza da imagem à verdade de uma vida dura, retratada quer na sua relação com o mar, quer nos vários domínios do quotidiano, deixando antever também os afectos e sentimentos, as alegrias e tristezas que marcam os rostos da pessoa comum.
Desfolhar esta publicação é conhecer não só parte da obra do autor, mas também recuar no tempo e deixar-se envolver pela ambiência da Nazaré nos anos 1950. Pelo olhar de Bill Perlmutter temos uma leitura da forma de ser, estar e sentir da comunidade, da tipologia das embarcações, dos costumes e de momentos soltos passados no areal da praia, no mercado ou na taberna.

A Liberdade da Pesca

Autor: M. J. Martins Contreiras
Título: A Liberdade da Pesca. Conferência realisada na Associação Commercial dos Lojistas de Lisboa
Edição: Lisboa, Typographia do Commercio, 1910

Conferência realizada na Sala da Associação dos Lojistas de Lisboa, em 20 de Junho de 1910, pelo antigo professor Martins Contreiras.
Nascido na Fuzeta (1848), Martins Contreiras foi assíduo colaborador da imprensa republicana da época e membro do Grande Oriente Lusitano Unido. Defensor das ideias liberais, tomou parte em múltiplos congressos de associações operárias, de instrução e cooperativas, especialmente nas estabelecidas pelo Partido Republicano.

Nesta exposição, Martins Contreiras apela ao consumo do peixe, em prol da qualificação da alimentação portuguesa e da melhor gestão dos recursos, lamentando “o atraso intelectual dos nossos pescadores”, que os tornara “agarrados aos seus velhos meios de caça, e raro lhes surde um melhoramento nas indústrias marítimas, que não conclamem contra ele”.
Discorre sobre vários problemas que afectavam as pescas à época, nomeadamente da discussão sobre o esgotamento dos pesqueiros e o crescimento dos vapores de arrasto, que considerava necessários para a modernização das pescas nacionais, em detrimento das artes tradicionais.
Por isso, exortava a associação a envidar os esforços para que fosse restabelecido em todas as disposições o Decreto de 17 de Março de 1906 (que declarava livre a matrícula para os vapores de arrasto pertencentes a portugueses ou empresas portuguesas) e fosse anulada a Portaria de 6 de Novembro de 1906 (que proibia novas matrículas).

Disponível para consulta na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.

As Embarcações Tradicionais

Título: As Embarcações Tradicionais. Do Arco Ártabro a Ribadeo
Autores: Bernardo Máiz e Enrique Freire
Edição: Edições embora, Espanha, 2009



Publicação resultante de um trabalho de pesquisa levado a efeito por alunos do I.E.S. “Concepção Arenal” de Ferrol, sob a direcção de Bernardo Máiz Vasquez e Enrique Freire Hermida.

De fácil leitura e ilustrado com imagens muito elucidativas, este trabalho faz uma análise do património cultural marítimo, tendo como fio condutor as águas da Galiza, cruzando-as com os vários tipos de embarcações tradicionais e referenciando os aspectos patrimoniais chamados “inatingíveis” ou “imateriais”, associados a objectos materiais e concretos, o que nos dá um retrato da identidade e realidade cultural daquela região.


Os autores consideram também a cultura marítima uma das principais heranças e pilar da identidade cultural, ainda que sujeita a grandes transformações motivadas não só pela modernização da frota pesqueira, de transporte e desportiva (utilização de novos materiais e tecnologia), como também pela própria legislação em curso.
Assim, nesta publicação, a recolha e classificação de tipologias diferenciadas das embarcações, o levantamento de desenhos de construção naval e a descrição das formas e da nomenclatura são tarefas essenciais para todos quantos queiram contribuir para a preservação, conservação, reconstrução e divulgação da cultura marítima.


Uma excelente publicação disponível na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, para ler e seguir…

Glossário Ilustrado de Pesca








Autor: Bento d’ Assunção Leite
Edição: Póvoa de Varzim, Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 2009


"Glossário Ilustrado de Pesca" faz o levantamento nacional de um extenso conjunto de vocábulos utilizados na faina da pesca, indicando-nos o respectivo significado e definição, bem como a respectiva zona do país. Esta publicação torna-se, assim, indispensável para um melhor entendimento da cultura marítima e das expressões e terminologias das diversas comunidades piscatórias portuguesas.

O autor, Bento d’ Assunção Leite, natural de Braga, foi capitão da Marinha Mercante e a sua vida profissional foi recheada das mais diversas vivências marítimas: durante sete anos trabalhou num arrastão de pesca do bacalhau (1951 a 1957); depois, esteve na carreira inter-ilhas açorianas; mais tarde, na companhia Sociedade dos Armadores da Pesca do Arrasto para a pesca nas costas da Mauritânia, onde se manteve vários anos, pescando na Mauritânia, África do Sul, Angola e Guiné. Em 1981, foi nomeado Director Comercial e da Frota da companhia Sociedade Nacional dos Armadores da Pesca de Arrasto e, em Janeiro 1982, foi nomeado pelo Governo membro da Administração da mesma companhia.
Foi também membro da secção de Transportes da Sociedade de Geografia e, posteriormente, assessor do Tribunal Marítimo de Lisboa.



Oferta da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim para a Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.

Entrevista ao Mestre Lopes



Entrevista ao Mestre Lopes. Estaleiro Naval do Gaio
Edição: Moita, Câmara Municipal da Moita e IGESPAR, 2010

A publicação transcreve uma entrevista conduzida por Paulo Rodrigues a Manuel Lopes, construtor naval e proprietário do estaleiro naval do Gaio, filho do também mestre Francisco Lopes. Prefácio de Francisco Alves, Director da DANS – Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do IGESPAR / Ministério da Cultura.
De leitura fácil, este texto dá-nos a conhecer os materiais, técnicas e métodos construtivos utilizados no estaleiro do Gaio e que são seguidos pelos construtores navais de embarcações tradicionais, desde a escolha da madeira às ferramentas, armazenamento, planos, moldes, grades, esqueletos e perfis. Em cartolina, o entrevistado inicia o desenho de uma embarcação, seguindo todos os passos necessários à sua construção “aqui é a roda de proa, depois o cadaste”. “Agora vou fazer a boca…, depois assentava as primeiras cavernas em cima da quilha…”, explicando, pormenorizadamente, como nasce uma embarcação.

Completa esta publicação um pequeno glossário de terminologia própria desta arte de construir embarcações e dois DVD's com a entrevista filmada e uma Base de Dados Inventário das Ferramentas do estaleiro.

Publicação apresentada a 16 de Abril, no “Encontro de Culturas Ribeirinhas” / Moita, e oferecida à Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.