Revista de Folklore

Revista de Folklore
Edição: Caja España – Caja Duero, Valladolid, 2011
II Época, n.º 349
36 pag.






Para uma leitura mais diversificada e abrangente, sugere-se a leitura da revista “Folklore”, edição espanhola que a Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso possui no seu acervo.
Os artigos do último número incidem, sobretudo, na vida cultural tradicional, nas histórias e narrações que enchiam os serões de Inverno. Histórias de vida, lendas muitas vezes já apagadas da memória colectiva e cantigas do Cancioneiro popular são trazidas ao presente, relembrando as raízes culturais e a evolução que se foi verificando ao longo dos tempos, com todas as singularidades e particularismos.
Os restantes artigos focam temas relacionados com a iconografia mariana e também com a História de Espanha e a sua expansão pelo "novo mundo".
Esta é uma revista espanhola que assiduamente revela novas investigações na área da antropologia e da cultura popular, onde se encontram paralelismos interessantes com a realidade portuguesa. 

Artes de pesca. As pescas na arte

Titulo: Artes de pesca. As pescas na arte. Pintura e Escultura. Catálogo da exposição temporária 9 de Abril a 19 de Novembro de 2005
Edição: Museu Marítimo de Ílhavo, 2005

Catálogo de exposição com o mesmo nome, organizada pelo Museu Marítimo de Ílhavo. Divulga e referencia obras de arte dos finais do século XIX / século XX que retratam aspectos relacionados com o mar, desde paisagens marinhas a figuras de um quotidiano típico-tradicional do litoral português.
Autores de relevo no mundo da arte portuguesa, como Lázaro Lozano, Lino António, Alberto Sousa, Sousa Lopes, Almada Negreiros, Juan Ávalos, entre outros, são alguns dos artistas plásticos que nos proporcionam registos temáticos que conciliam o aspecto estético e as especificidades dos respectivos movimentos e tendências artísticas à autenticidade da realidade documentada. Nas obras expostas revê-se a força, a angústia, as vivências da pesca e o papel da mulher no tecido sócio-económico das gentes do mar, evidenciando igualmente a beleza plástica decorrente do movimento, do esforço, do drama e, até da tragédia, das várias expressões próprias da faina do mar.

Este catálogo faz parte de um conjunto bibliográfico que o Museu Marítimo de Ílhavo ofereceu recentemente ao Museu Dr. Joaquim Manso, enriquecendo, assim, o acervo da nossa Biblioteca com edições que relacionam a arte e o mar.

A Romaria de S. Brás


Autor:
José Soares

Título: A Romaria de S. Brás
Edição: Serviços de Cultura e Turismo da Nazaré, 1982

José Soares, estudioso da cultura local, descreve nesta brochura a romaria a São Brás, “a mais genuína das manifestações populares da Nazaré”.
Refere o autor não só o aspecto paisagístico do monte, como também o relaciona com a lenda da imagem de Nossa Senhora da Nazaré e da vinda do Rei D. Rodrigo e Frei Romano que, segundo a tradição, já teriam encontrado no cimo do monte uma capela abandonada, onde existiria um crucifixo.
Em 1965, José Soares considera que “a capela pouco tem de atractivo …. e não passa de um casebre a desabar sem os cuidados de ninguém”. Em dia de festa (3 de Fevereiro), sobre toalhas e adornado com poucas alfaias religiosas, o altar ostenta as imagens de Nossa Senhora das Candeias (celebrada a 2 de Fevereiro), São Bartolomeu e São Brás, então vindas da Igreja Matriz da Pederneira.
No soalho, situam-se duas placas tumulares, uma das quais pertencente, segundo legenda gravada, ao ermitão Manuel Luís, “de pátria desconhecida e falecido em 1849”.

Em tempo de romaria ao São Brás e início das preparações carnavalescas, aqui fica uma sugestão de leitura, para que também possamos reflectir sobre a continuidade destas práticas populares.
Para saber mais sobre o Monte de São Brás (ou de São Bartolomeu) sugerimos ainda a leitura do site portugalsemfim.

Uma arte do Povo, pelo Povo e para o Povo


Título: Uma arte do Povo, pelo Povo e para o Povo. Neo-realismo e artes plásticas
Edição: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Museu do Neo-realismo, 2007

No ano em que se comemora o centenário de nascimento de Alves Redol (Vila Franca de Xira, 29 Dezembro1911 – Lisboa, 29 Novembro 1969), evoca-se o neo-realismo com a apresentação do catálogo Uma arte do Povo pelo Povo e para o Povo. Neo-realismo e artes plásticas, referente à mostra patente no Museu do Neo-Realismo em 2007.
A abordagem deste movimento é feita por diversos autores, focalizando várias temáticas que nos dão uma leitura estética, social e política de obras produzidas quer na literatura, quer nas artes plásticas.
O tema do mar, e sobretudo da representação das suas gentes, foi privilegiado pela geração neo-realista de meados do século XX, incluindo o catálogo algumas reproduções de obras de Júlio Pomar, Rogério Ribeiro, Querubim Lapa, Augusto Gomes, Mário Dionísio, Maria Keil e Avelino Cunhal.
No neo-realismo vive-se uma aliança entre o artista e o povo, em que a arte é cada vez mais acessível às massas e onde o povo é representado não de uma forma idealizada, mas num quotidiano de trabalho árduo – no mar, em terra ou na fábrica. Do mesmo modo, as vivências de pobreza, exclusão, desespero, maternidade e festa são também temas do neo-realismo, que assim desempenha um papel interventivo e de reflexão na análise social, política e económica nacional.
Vários autores e obras emblemáticas do neo-realismo português são citados nesta publicação, oferecida recentemente ao Museu Dr. Joaquim Manso pelo Museu do Neo-Realismo e a merecer uma leitura atenta.

Heróis do Mar. Bill Perlmutter

Título: Heróis do Mar. Bill Perlmutter
Texto de Manuel António Pina
Edição: Centro Português de Fotografia / MC / Bill Perlmutter, Porto, 2002

Bill Perlmutter (Nova Iorque, 1932) autor das fotografias que compõem esta obra, na sua segunda viagem à Europa, teve a oportunidade de conhecer a Nazaré de 1958, deixando-se seduzir pelas características que identificavam a paisagem, as ruas e as pessoas, captando a sua própria essência.
Ele próprio afirma: “[Na Nazaré] As pessoas fascinavam-me, os rostos morenos e marcados pelo tempo pareciam estar em completa sintonia com o mar bravo à sua volta. As roupas pareciam fora do tempo, na moda em qualquer século menos no século XX. Aqui o relógio parou, ou pelo menos passou a andar mais devagar, porque estes pescadores corajosos pareciam mais próximo do seu passado fenício do que do presente. Os rostos enrugados, profundamente sulcados, espelhavam uma vida de luta e determinação contra um mar exigente. As mulheres também reflectiam uma imagem de orgulhoso estoicismo, modelado por uma vida de trabalho e sacrifício. Como sempre, eram as crianças que mais me atraíam e tornaram-se o meu tema preferido..."


As imagens, a preto e branco, reproduzidas nesta obra, documentam a realidade sócio-cultural desta comunidade de pescadores, aliando a beleza da imagem à verdade de uma vida dura, retratada quer na sua relação com o mar, quer nos vários domínios do quotidiano, deixando antever também os afectos e sentimentos, as alegrias e tristezas que marcam os rostos da pessoa comum.
Desfolhar esta publicação é conhecer não só parte da obra do autor, mas também recuar no tempo e deixar-se envolver pela ambiência da Nazaré nos anos 1950. Pelo olhar de Bill Perlmutter temos uma leitura da forma de ser, estar e sentir da comunidade, da tipologia das embarcações, dos costumes e de momentos soltos passados no areal da praia, no mercado ou na taberna.

A Liberdade da Pesca

Autor: M. J. Martins Contreiras
Título: A Liberdade da Pesca. Conferência realisada na Associação Commercial dos Lojistas de Lisboa
Edição: Lisboa, Typographia do Commercio, 1910

Conferência realizada na Sala da Associação dos Lojistas de Lisboa, em 20 de Junho de 1910, pelo antigo professor Martins Contreiras.
Nascido na Fuzeta (1848), Martins Contreiras foi assíduo colaborador da imprensa republicana da época e membro do Grande Oriente Lusitano Unido. Defensor das ideias liberais, tomou parte em múltiplos congressos de associações operárias, de instrução e cooperativas, especialmente nas estabelecidas pelo Partido Republicano.

Nesta exposição, Martins Contreiras apela ao consumo do peixe, em prol da qualificação da alimentação portuguesa e da melhor gestão dos recursos, lamentando “o atraso intelectual dos nossos pescadores”, que os tornara “agarrados aos seus velhos meios de caça, e raro lhes surde um melhoramento nas indústrias marítimas, que não conclamem contra ele”.
Discorre sobre vários problemas que afectavam as pescas à época, nomeadamente da discussão sobre o esgotamento dos pesqueiros e o crescimento dos vapores de arrasto, que considerava necessários para a modernização das pescas nacionais, em detrimento das artes tradicionais.
Por isso, exortava a associação a envidar os esforços para que fosse restabelecido em todas as disposições o Decreto de 17 de Março de 1906 (que declarava livre a matrícula para os vapores de arrasto pertencentes a portugueses ou empresas portuguesas) e fosse anulada a Portaria de 6 de Novembro de 1906 (que proibia novas matrículas).

Disponível para consulta na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso.

As Embarcações Tradicionais

Título: As Embarcações Tradicionais. Do Arco Ártabro a Ribadeo
Autores: Bernardo Máiz e Enrique Freire
Edição: Edições embora, Espanha, 2009



Publicação resultante de um trabalho de pesquisa levado a efeito por alunos do I.E.S. “Concepção Arenal” de Ferrol, sob a direcção de Bernardo Máiz Vasquez e Enrique Freire Hermida.

De fácil leitura e ilustrado com imagens muito elucidativas, este trabalho faz uma análise do património cultural marítimo, tendo como fio condutor as águas da Galiza, cruzando-as com os vários tipos de embarcações tradicionais e referenciando os aspectos patrimoniais chamados “inatingíveis” ou “imateriais”, associados a objectos materiais e concretos, o que nos dá um retrato da identidade e realidade cultural daquela região.


Os autores consideram também a cultura marítima uma das principais heranças e pilar da identidade cultural, ainda que sujeita a grandes transformações motivadas não só pela modernização da frota pesqueira, de transporte e desportiva (utilização de novos materiais e tecnologia), como também pela própria legislação em curso.
Assim, nesta publicação, a recolha e classificação de tipologias diferenciadas das embarcações, o levantamento de desenhos de construção naval e a descrição das formas e da nomenclatura são tarefas essenciais para todos quantos queiram contribuir para a preservação, conservação, reconstrução e divulgação da cultura marítima.


Uma excelente publicação disponível na Biblioteca do Museu Dr. Joaquim Manso, para ler e seguir…